Quem somos?

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De Plutão. Da Terra. Do passado, presente e futuro. De onde viemos? Para onde vamos? Este não é um blog sobre filosofia, mas é filosofia, é pensamento, são inquietações, são provocações de todo tipo, são perguntas sem respostas, são respostas sem perguntas, são viagens reais e imaginárias pelo interior de seres extraterrestres naturais da Terra. Mulheres. Somos mulheres e homens também. Propomos que saia do seu mundo e adentre o nosso, mas venha de porta aberta e saia quando quiser, somos profundamente a favor do “entra e sai” de pessoas aqui e na vida. Por essa descrição o que você conclui ao nosso respeito? Que somos loucos? Ok, seja bem-vindo! Perturbe a vontade!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012


Alguém me disse que nasci no corpo errado, que deveria ser maior para cima e para os lados, assim meu corpo seria de acordo com minha personalidade extravagante, provocativa. O fato de ser magra foi associado a uma personalidade angelical, doce, que não possuo. Não sei de onde tirou isso. Errou. Hoje compreendo perfeitamente a razão dos meus poucos quilos, nosso corpo é reflexo da alma, acredito nisso. A minha é tão leve, que seria difícil mantê-la aprisionada a um corpo pesado, melhor que voem os dois, corpo e alma. Sou tentada a tudo que me tira do chão, é onde me sinto em paz, basta fechar os olhos que me vejo flutuando. O sonho de voar é tão antigo quanto o homem, eu o tenho desde sempre. Já realizei tantas vezes, numa música, numa montanha-russa, numa ilusão. Voar acompanhada parece bom, mas nunca precisei de instrutor para isso, prefiro os aventureiros leigos que não carregam manual de instrução, nem certificados de oitocentas horas-aulas de voos bem sucedidos. Por outro lado, voar sozinha é a melhor sensação que alguém pode experimentar. Sentir o frio na barriga, o medo do incerto, uma insustentável leveza do ser. Será que eu tenho algum problema? Alguém mais sente esse incontrolável desejo pelas alturas? Cheguei à conclusão que nunca poderei engordar, não posso correr o risco que o principezinho correu de não poder carregar o próprio corpo ao retornar ao seu planeta, tudo tem que continuar proporcionalmente perfeito: corpo pequeno e alma leve.


Retire o cinto e ouça isso. Veja o quanto pesa sua alma! http://www.youtube.com/watch?v=LmXSa-wa8lA

Mais um voo garantido!

Funciona, não é?

Olívia Meminger



A menina que encontrou seu mundo



Era tímida, mas cheia de grandes desejos. Sua curiosidade era como um estilingue que sempre a lançava para longe, e sempre foi mais forte que ela. Encantava-se a cada história, cada rosto novo que conhecia, e ficava se imaginando vivendo em todos esses mundos. Porque acreditava que cada pessoa, fizesse parte de um mundo, sendo cada uma responsável por ele e dono absoluto, portanto, não seria possível outra pessoa que não ele mesmo, habitar e transformar. Sentia que seu mundo era o menos interessante de todos, não havia grandes acontecimentos, tinha horários programados para tudo e sabia sempre o que viria amanhã e depois de amanhã. Até que um dia, fez uma escolha dessas que a gente não imagina no que vai dar, sem ao menos pensar. E quando acordou percebeu que nada daquilo que ela havia programado, aconteceu. A princípio, tamanho foi o espanto, quis voltar atrás, quis não ter desejado mudança nenhuma, quis sua vida de volta. Mas percebeu que era tarde e que aquele agora era seu mundo. Não precisou de muito esforço para logo se acostumar com as mudanças, aliás, tudo aquilo já fazia parte dela, e só agora sua vida fazia sentido. Percebeu que todos os mundos, vez ou outra compartilhavam das mesmas histórias, e que o seu mundo era apenas mais um dentre tantos, nem mais, nem menos importante. Mas que era cheio de grandes possibilidades. Assim começou devagarzinho, a fabricar sonhos, e vendo que eles estavam crescendo, uniu-se a outras pessoas, com sonhos ainda maiores. E juntos viram que esses sonhos podiam transformar-se em realidade, um dia. Porém, tinham que continuar lutando arduamente por eles, quebrando todas as barreiras, construindo pontes, não importassem os meios. A menina, que agora se percebia mulher, sabia que cada esforço valeria à pena e prometeu a si mesma que não abriria mão de um mundo que não era mais só seu, agora muitos habitavam. E a cada dia algo se transformava, dentro dela, no seu mundo, nos outros mundos e ela também fazia parte de todos eles.
Joana Flor

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Em qualquer tempo, em qualquer espaço, as dores são as mesmas



Hoje fui procurada por uma mulher. Uma mulher em carne viva, em face tomada pelo rubor da autopunição.  Nós, que ligadas por um ínfimo acaso, parecíamos ali, produto de uma linha de produção de mulheres marcadas, torturadas pelo peso de sua escolha.
Inicialmente achei estranha sua escolha. Eu? O que eu poderia dizer? Mas ela não veio pra ouvir e sim falar, pois para quem está tomado pela angústia não existe melhor conselheiro do que aquele que simplesmente ouve.
Era pra ser a história dela, mas nos meus ouvidos só chegaram uma história que eu mesma já estava esquecendo. Estranha mulher aflita, como você sabe que eu passei por isso?
O seu lamento era tal qual o lamento que eu entoava aos ouvidos amigos.  Mas ao mesmo tempo em que eu me sentia dentro daquela vida também me sentia distante o suficiente e celebrei comigo mesma: “Eu saí dessa!”.  Sei que nada se apagou, mas tudo que aconteceu está no seu devido lugar, naquela gaveta que eu não sei mais o que guardo lá.
A mulher aflita e tantas outras mulheres me fizeram aperceber que todas as histórias são iguais. Talvez ainda não tenha visto todos os capítulos e talvez estes estejam em ordens diferentes para cada uma de nós ou mesmo nem chegaremos a vivê-los por qualquer sorte no caminho.  Então vou considerar uma vantagem ter vivido logo essa fase de âncora me puxando pro fundo. Como catapora que a gente fica aliviado quando tem logo na infância e vem levinha e com o tempo as marcas vão ficando desapercebidas.
Não sei se estou imune, mulher aflita, mas sei a dor como é. Só vai doer na próxima se eu for boba demais pra não me precaver. Porque, mulher aflita, não importa, quando nem onde, as dores são as mesmas.
Hilda Ink

sábado, 11 de agosto de 2012

Aloha



Longo e dolorido ano. Tudo volta a ser como outrora. Voltei a me bastar. 

Hoje, sai, cantei, dancei, bebi, namorei. Tudo comigo mesma. Como ocorreu? Segredo meu! Nem meu, receita daquele lado mais solitário e feliz. Hoje, não me venhas mais com teu olhar nostálgico, tuas músicas melancólicas, só me cabe agora ser feliz, coisa que não soubestes fazer, talvez não quisestes. Mas isso não vem ao caso. Que me importa o mundo se tenho a mim mesma?!

Sou Lua, mas não mais sua.

Até posso ser sua, mas antes... Para sempre minha! Sua chance de ser dono de alguma coisa que seja eu já passou e acabou. Você? Sobrou! Sabe, no fundo sabia que o dia em que me dominaria novamente chegaria, ele demorou tanto que já estava desistindo de mim mesma. Mas... que importa? O dia chegou! Ou melhor, a Lua voltou! 

Senti uma saudade imensa de mim mesma. E sabe?! Fez mais falta até mesmo que você! Nossa como fez falta! E que venham as noites insones de amores infinitos, de amores em mim! Voltei a ter asas, agora vou novamente voar... Se ainda o sei? Voltei a saber!

E, ah... não espera, não vou voltar!

 Lua Litpos

E para inspirar, uma música que "expulsa o verbo":