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De Plutão. Da Terra. Do passado, presente e futuro. De onde viemos? Para onde vamos? Este não é um blog sobre filosofia, mas é filosofia, é pensamento, são inquietações, são provocações de todo tipo, são perguntas sem respostas, são respostas sem perguntas, são viagens reais e imaginárias pelo interior de seres extraterrestres naturais da Terra. Mulheres. Somos mulheres e homens também. Propomos que saia do seu mundo e adentre o nosso, mas venha de porta aberta e saia quando quiser, somos profundamente a favor do “entra e sai” de pessoas aqui e na vida. Por essa descrição o que você conclui ao nosso respeito? Que somos loucos? Ok, seja bem-vindo! Perturbe a vontade!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Em qualquer tempo, em qualquer espaço, as dores são as mesmas



Hoje fui procurada por uma mulher. Uma mulher em carne viva, em face tomada pelo rubor da autopunição.  Nós, que ligadas por um ínfimo acaso, parecíamos ali, produto de uma linha de produção de mulheres marcadas, torturadas pelo peso de sua escolha.
Inicialmente achei estranha sua escolha. Eu? O que eu poderia dizer? Mas ela não veio pra ouvir e sim falar, pois para quem está tomado pela angústia não existe melhor conselheiro do que aquele que simplesmente ouve.
Era pra ser a história dela, mas nos meus ouvidos só chegaram uma história que eu mesma já estava esquecendo. Estranha mulher aflita, como você sabe que eu passei por isso?
O seu lamento era tal qual o lamento que eu entoava aos ouvidos amigos.  Mas ao mesmo tempo em que eu me sentia dentro daquela vida também me sentia distante o suficiente e celebrei comigo mesma: “Eu saí dessa!”.  Sei que nada se apagou, mas tudo que aconteceu está no seu devido lugar, naquela gaveta que eu não sei mais o que guardo lá.
A mulher aflita e tantas outras mulheres me fizeram aperceber que todas as histórias são iguais. Talvez ainda não tenha visto todos os capítulos e talvez estes estejam em ordens diferentes para cada uma de nós ou mesmo nem chegaremos a vivê-los por qualquer sorte no caminho.  Então vou considerar uma vantagem ter vivido logo essa fase de âncora me puxando pro fundo. Como catapora que a gente fica aliviado quando tem logo na infância e vem levinha e com o tempo as marcas vão ficando desapercebidas.
Não sei se estou imune, mulher aflita, mas sei a dor como é. Só vai doer na próxima se eu for boba demais pra não me precaver. Porque, mulher aflita, não importa, quando nem onde, as dores são as mesmas.
Hilda Ink

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