Quem somos?

Minha foto
De Plutão. Da Terra. Do passado, presente e futuro. De onde viemos? Para onde vamos? Este não é um blog sobre filosofia, mas é filosofia, é pensamento, são inquietações, são provocações de todo tipo, são perguntas sem respostas, são respostas sem perguntas, são viagens reais e imaginárias pelo interior de seres extraterrestres naturais da Terra. Mulheres. Somos mulheres e homens também. Propomos que saia do seu mundo e adentre o nosso, mas venha de porta aberta e saia quando quiser, somos profundamente a favor do “entra e sai” de pessoas aqui e na vida. Por essa descrição o que você conclui ao nosso respeito? Que somos loucos? Ok, seja bem-vindo! Perturbe a vontade!

domingo, 16 de setembro de 2012

O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS



Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de cerejas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões
onde desfilam egos inflados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
"As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos".
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana, que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua
mortalidade.
Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdade. O essencial faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial!


Mário Coelho Pinto de Andrade (1928/1990), poeta, ensaísta e escritor angolano

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Viagem interior


Going Inside

You don't throw your life away
Going inside
You get to know who's watching you
And who besides you resides
In your body
Where you're slow
Where you go doesn't matter
Cuz there will come a time
When time goes out the window
And you'll learn to drive out of focus
I'm you and if anything unfolds
it's supposed to
You don't throw your time away sitting still
I'm in a chain of memories
It's my will
And I had to consult some figures of my past
And I know someone after me
Will go right back
I'm not telling a view
I've got this night to unglue
I moved this fight away
By doing things there's no reason to do

Se Voltando Para Dentro

Você não joga sua vida fora
Se voltando para dentro. (de você)
Você tem que saber quem te observa
E quem mora ao seu lado
Em seu corpo
Onde você é lento.
Onde você vai, não importa
Porque virá um tempo
Em que o tempo passará pela janela
E aprenderá a conduzir fora de foco.
Eu sou você e se nada se revela
como deveria ser
Você não perde seu tempo sentando quieto
Estou em uma corrente de memórias
É minha vontade
E eu tinha que consultar algumas figuras do meu passado
E eu sei que alguém além de mim
Vai voltar
Eu não estou contando sobre uma visão
Tive essa noite para perceber
Eu me desfiz dessa luta
Por ter feito coisas que não tinham razões de serem feitas.
                       

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Uma boa dose de mim mesma com gelo e limão!


Depois de anos a fio carregando essa mesma cina de me doar 110% ao mundo e quase nada por mim permito-me agora algumas mudanças. Reuni minha Assembléia Constituinte e ficou acordado que:

a) A partir de agora não preciso de ninguém que me complete. Já sou completa e ultimamente estou transbordando de mim mesma;
b) Preciso experimentar, sentir todos os gostos que nunca provei. E acreditem: estou faminta;
c) Devo amar, amar e amar de novo quem está comigo: meu pequeno grande fruto,  minhas raízes e as àrvores que me fazem sombra;

Tudo está tão novo que estou completamente apaixonada por essa nova realidade. Simplesmente descobri "EU". E "EU" é tão vasta...tenho tanto que ver aqui dentro. Eu nem sabia que "EU" podia ser tão fatal! Ou é uma grande verdade ou estão me fazendo crer nesta imensa mentira.

Mesmo uma série de desvios estéticos, "EU" gosta assim mesmo, desse jeitinho, sem tirar nem pôr. Com seu excesso de corpo, com seus seios longe da altivez, com esse nariz estranho, com essa pele de porcelana (quebrada)...Mas parece que tudo junto se harmoniza e é assim: "EU".


quarta-feira, 5 de setembro de 2012


Uma boa dose de Foda-se com gelo e limão!

Falar palavrão não é coisa de boa menina. Mas nunca quis ser boa menina, aliás, sempre foi um fardo pesado demais, carregar essa cruz de boa filha, boa aluna, boa..boa...Não que eu não seja uma pessoa do bem, mas o SER BOA, as vezes, exige uma dose tão grande de paciência e diplomacia que toda minha vontade sempre foi dizer: FODA-SE. Para minha mãe que me criou para ser sua cópia ou uma boneca de porcelana, sem vontades, sem opiniões, pior, sem liberdade, fadada a dar satisfações de cada passo. Para meu pai que é, muitas vezes, tão passivo diante das situações (mas não, para ele eu não consigo dizer). Para os vizinhos, conhecidos e colegas que são, insuportavelmente, curiosos e maledicentes. Se eu for seguir nessa escala crescente vou parar sabe-se lá onde. Em Deus? Que criou essa ‘bagaça’ toda? Melhor não, deixa o Criador em paz, que já tem perturbado demais para ouvir. Mas no fundo, o foda-se pode ser traduzido em: liberdade. É só o que eu preciso. Poder viver, trabalhar, pensar, ser, livremente. Será que é pedir demais?

Olívia Meminger

Uma boa dose de Solidão com gelo e limão!

-Silêncio! O que afinal há de errado com ele? Eu particularmente admiro pra caramba quem com ele faz par. Consegue ser o companheiro ideal, claro, em certas ocasiões. Há dias, em que tudo que a gente busca é um pouco de silêncio, e não sei há quanto tempo venho a sua procura. Mas o silêncio que busco nem sempre é tão silencioso assim, às vezes ele vem junto com o som de uma brisa, de alguns ruídos, o cantar de um pássaro, uma criança chorando a alguma distância que mal se ouve. O silêncio que busco é apenas um refúgio, é um clamar de sossego. Mas tem sido tão difícil encontrá-lo. É como se o mundo todo resolvesse interferir, e distanciar esse encontro. E eu nunca havia percebido o quanto preciso dele, ou melhor, acho que nunca precisei tanto quanto agora. Sossego, um tempo para refletir, sonhar acordada, ou qualquer outra coisa que minha mente desejar produzir. Preciso mesmo é de solidão, mas não é apenas a da ausência, é solidão voluntaria e prazerosa, dessa de quando a única companhia agradável é a nossa, ou a de um bom livro. Algumas pessoas não entendem o quão bem faz a companhia silenciosa de um livro e simplesmente se acham no direito de interromper uma leitura, o que considero um tremendo desrespeito. Não há nada mais agradável que se perder em uma história, quando a gente confunde nossa vida com a dos personagens. Perdi a noção de quantas vezes o fiz, e das vezes que me arrependi por isso. Mas o que de fato me atormenta é não poder ter esse espaço, esse momento comigo mesma, com meu livro, quando os ruídos servem de efeitos sonoros para os pensamentos. Sinto falta de acordar feliz, ou atordoada com um sonho que acabara de ter, ao invés de acordar com a frustração de ter sido interrompida na metade dele e querer voltar pra refazê-lo e não conseguir e passar o dia todo imaginando como teria sido o fim. Definitivamente é de solidão que preciso, não sei por quanto tempo, e arrisco a dizer que não por muito, mas com certeza é tudo que preciso agora!
E Vocês, Sofia, Hilda, Olívia, Lua, do que precisam?

Por: Joana Flor

domingo, 2 de setembro de 2012

"Amor - pois que é palavra essencial
comece esta canção e toda a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
reúna alma e desejo, membro e vulva..."


O inesperado está na dobra. Num bilhete deixado embaixo da porta, numa esquina que você costuma virar todos os dias, mas num belo dia ele está lá para revirar sua vida.
Saí para o trabalho como todos os dias, atrasada, catando chaves e celular pelo caminho, fiz o percurso comum sem desconfiar estar sendo seguida por ele, o inesperado. O dia corria bem no escritório, cadastrava novos clientes quando fui surpreendida por um sotaque diferente:
__ Bom dia. Pode me ajudar?
Ergui a cabeça e deparei-me com um sujeito alto, cabelos castanhos e barba rala. Parecia simpático e tinha aqueles olhos, tipo luz forte, que não conseguimos olhar fixamente. Carregava uma pilha de papeis, notas de mercadorias para serem cadastradas. Durante toda a tarde conferimos notas fiscais, e assim fui me acostumando àquele sotaque engraçado de gente do Sul, fomos entrelaçando conversas, cafés e papeis até a dobra aparecer.
__ Toma um drink comigo?
Estou acostumada a conviver com o assédio de vendedores, que aproveitam o fato de estar de passagem para viver aventuras amorosas, tem sempre o mesmo papo e as mesmas propostas indecentes, mas um não, dito enfaticamente, é suficiente nessas circunstâncias. Como costumo dizer, são ossos do ofício. Mas aquele forasteiro tinha imã nos olhos que sugavam os meus e não senti a palavra ser formada, a espertinha fugiu da boca antes de ser aprisionada:
__ Sim. Estava mesmo precisando relaxar e que mal há em conversar um pouco? Pensei.
Conversamos e rimos por muito tempo, ele sabia deixar o ambiente leve e descontraído. Quando secou o estoque de palavras, um segundo plano foi posto em ação: não há língua mais universal que olhares que se cruzam. Confesso que depois de alguns goles era quase impossível resistir ao poder daqueles olhos, meu rosto implorava para sentir o toque de sua barba. Vieram os beijos. E mais um convite:
__Vamos?
__Sim.
Nessa hora me senti profundamente irritada com minha língua que não fazia questão de prender essa palavra tão perigosa. Sim, sim, sim...eu queria, mas...tem sempre um “mas” na cabeça das mulheres. Então, quando nada mais se pode fazer a única saída é aceitar. Rendi-me.
O apartamento onde Luís estava temporariamente instalado se resumia a quarto e banheiro, uma cama, uma mesinha com alguns livros e um computador era toda sua mobília. Eu estava nervosa, tinha medo do que estava prestes a acontecer. Ele colocou uma música, virou-se e, apenas me olhou e olhou, cada vez mais perto, minhas pernas davam sinais de que não suportariam o peso do corpo, senti-me sendo despida, lentamente, pelos seus olhos. Fechei os meus. Já não podia aguentar, foi aí que senti sua respiração bem junto a minha e sua mão que subia pelas minhas costas até a nuca. Foi suficiente. Entreguei os pontos e sucumbi ao desejo, nossos corpos esqueceram-se do passado e do futuro em comum que não existia, nem existiria, e mergulharam num presente onde a música e a penumbra do quarto ritmavam uma dança quente de mãos, bocas e pernas. Quando senti a onda percorrer meu corpo notei que ele me observava como se assistisse a uma ópera: perplexo, imóvel, sorrindo satisfeito diante do trabalho bem realizado. Outras ondas vieram e nos deixamos arrastar por elas até sermos cuspidos pelo mar, exaustos.
"Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, quais estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre."
Estava feliz, sentia-me respeitada, desejada e amada. Sim, amada. A sucessão de beijos que ganhei nas costas, enquanto curtia um cochilo restaurador, funcionava mais que um “eu te amo” dito no altar. Como sou fraca para bebidas e logo me embriago, prefiro assim, amor em doses homeopáticas.
__Volto amanhã para minha cidade. Confidenciou Luís ao nos despedirmos.
E assim aconteceu. Agora, acordo todos os dias atrasada para o trabalho, saio catando chaves e celular e torcendo para que o inesperado me encontre novamente.

Olívia Meminger
Trechos retirados de "Amor pois que é palavra essencial" de Carlos Drummond de Andrade.