Quem somos?

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De Plutão. Da Terra. Do passado, presente e futuro. De onde viemos? Para onde vamos? Este não é um blog sobre filosofia, mas é filosofia, é pensamento, são inquietações, são provocações de todo tipo, são perguntas sem respostas, são respostas sem perguntas, são viagens reais e imaginárias pelo interior de seres extraterrestres naturais da Terra. Mulheres. Somos mulheres e homens também. Propomos que saia do seu mundo e adentre o nosso, mas venha de porta aberta e saia quando quiser, somos profundamente a favor do “entra e sai” de pessoas aqui e na vida. Por essa descrição o que você conclui ao nosso respeito? Que somos loucos? Ok, seja bem-vindo! Perturbe a vontade!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

EU, estranho EU

Três frases revolucionaram minha vida. A primeira faz total sentido hoje e veio de quem eu desejaria que um dia se engasgasse e morresse com seu próprio orgulho: "Vá viver a sua vida!".Que descoberta maravilhosa: minha vida! Deixei de querer agradar à besta quadrada que nem era merecedora de uma lágrima minha. A gente sempre quer fazer tudo pra agradar o outro e muitas vezes nem sabe agradar a si mesmo, encontrando o ponto do nosso próprio orgasmo, por exemplo. Como querer saber tudo do outro e ser um completo estranho a si mesmo? Sempre tive medo da pergunta mais difícil do mundo: "Quem é você?". Ainda tenho medo, mas não por  não saber, mas por não querer se limitar dentro de uma resposta. A segunda, é cerne de todo um aprendizado que a duras penas percebi e veio de alguém que nem sabe escrever seu próprio nome: "Eu sou eu.". A princípio pode parecer a coisa mais tola e óbvia do mundo, mas que verdade universal e brilhante! Somos SÓ a gente mesmo. Nascemos sós e morreremos sós. E é tão difícil ver ou crer na gente mesmo. Sempre somos o filho de José, o marido de Ana, o amigo de Suzana. Parece que existimos da correlação com alguém. Eu fui assim: a alguma coisa de alguém. E posso ainda ser, mas ninguém sabe o sabor que foi dizer, de forma consciente, EU SOU HILDA. EU só EU.EU sem fulano nem sicrano. EU. Detesto as ideias de caras-metades, tampas de panelas ou qualquer coisa que pareça completar pedaços de gente. Teceremos centenas de relações durante nossa vida, afinal a Sociologia nos diz que somos seres sociais. Ela só não disse que somos seres bestiais e que voltamos a recriar promessas e nos embalar em histórias que sempre seguem o mesmo script, mas com personagens e enredos modificados. Adoramos a ilusão. Na próxima será diferente, né? A terceira frase, me veio de um quase estranho, odiado por uns e amado por outros nesta terra: "Vá, Hilda...Vá e seduza!". Nesse momento, percebi que eu tinha um poder. Poder de desejar e ser desejada. Se "my pussy é o poder" eu usei direitinho. E além da pussy, a presença melhorou um bocado. A atitude veio em seguida, a cara-de-pau também. E no fim, me embriaguei comigo mesmo e consegui depois dessas três frases ver eu mesma e gostei da figura. E fico assim...dando uma flertadinha nessa estranha, porque nada é mais gostoso do que o proibido e nada é mais proibido do que ser você mesmo.

sábado, 22 de dezembro de 2012




A carta estava entre outras correspondências, as muitas que se acumulam depois de uma longa viagem e casa vazia. Seu papel era amarelado e com uma caligrafia bonita dizia: Caro desconhecido, preciso falar!
Intrigado, abri:

No começo, tudo foi muito difícil. Não aceitava de forma alguma que aquilo pudesse estar acontecendo comigo. Calei-me por muito tempo. Privei-me de viver momentos intensos. Procurei de todas as formas ‘maquiar’ meu verdadeiro EU, mas chegou um momento que não estava mais dando pra suportar. Eu estava com tudo aquilo entalado na garganta e precisava de qualquer forma conversar com alguém.
    Ser homossexual numa sociedade como a nossa, é o mesmo que ter que vencer uma batalha por dia. Enfrentar família, amigos, vizinhos, não é fácil. Mas quando você decide ser feliz nada mais importa. Você percebe que já perdeu tempo demais se escondendo, e que não importa o que os outros vão pensar/falar a seu respeito.
Procurei forças onde já não havia sequer esperança de um dia ser feliz. Mas foi nos amigos que encontrei a força que eu tanto procurava. O oásis no meio do deserto. Um dia criei coragem e falei tudo que eu tinha engasgado. Desabafei... me libertei de um peso que carreguei sozinho durante anos. No começo tive medo de não ser aceito por eles, mas ao contrário do que eu pensava, recebi muito carinho e compreensão. Não canso de agradecê-los e de declarar diariamente o meu AMOR pelos meus AMIGOS. Eles são a família que eu escolhi pra mim.
Hoje me aceito do jeito que sou, não acho que possuo um distúrbio de personalidade ou qualquer outro tipo de doença, como costumam dizer pessoas preconceituosas. Que se dane seu preconceito! Meu mundo não gira mais em torno da opinião dos outros. Meus olhares e pensamentos agora buscam novos horizontes e novas aventuras.
Essa carta é para dizer que posso ser seu filho, seu irmão, seu amigo, seu vizinho ou um cidadão comum. E também é um pedido, sou como você, então, por favor, não veja diferenças onde não existem!

Grato pela atenção.

Um ser humano qualquer


Fechei a carta com mãos trêmulas. Andei até ao banheiro e no espelho olhei meu rosto cansado da viagem, já não era o mesmo rosto do homem que apanhou as correspondências e imaginei o menino que escreveu a carta, sim, um menino, foi assim que o imaginei e uma sensação de empatia invadiu meu coração. O rosto no espelho sorriu de volta, como se dissesse: eu admiro esse garoto. Esse ser humano qualquer.


Davi Langdon






quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O que vem depois?





Rapaz, a politicalha não acabou ontem?
Por que ainda tá rendendo tanto?
Bora voltar à vida normal meu povo! Os políticos já conseguiram o que queriam (voto)!
Agora é esperar a prefeitura limpar a imundície de papéis de campanha das ruas do Brasil, fazer as pazes com aqueles amigos de sempre (que você burramente brigou em favor de quem não tá nem aí pra você), esperar mais 4 anos e depois reclamar do que fulano ou sicrano prometeu e não cumpriu.
Para meu desespero, é nisso que se resume a participação política da maioria dos brasileiros. 
No entanto, política vai muito além do lado pessoal. É algo superior e, por isso, mais importante que preferências pessoais, votos vendidos e torcidas organizadas, separadas de acordo com a cor da camisa.
Política é mais importante do que entregar seu voto à alguém por conta de um favorecimento pessoal, afinal o governo daquela pessoa pode ajudar ou prejudicar a vida de muitas pessoas e não só a sua.
Política de verdade não é essa politicagem que vemos nas ruas. Não devia ser essa luta de egos entre políticos canalhas, envolvendo e engodando a sociedade de tal forma, que chega a gerar conflitos entre familiares. De fato, é algo onde todos perdem ou ganham.
Nos resta escolher com consciência e exercermos o nosso direito eleitoral depois da passagem do período de eleições. É na fiscalização, na cobrança, no acompanhamento de perto das políticas públicas, que atuamos de fato como cidadãos e fazemos valer de verdade os nossos direitos.
Isso é comportamento, consciência política! Não se deixar ser ludibriado, taxado de tolo. É não participar do circo armado para entreter a sociedade enquanto nada de necessário, de consistente é feito. É não se vender, não se enganar, não se iludir, não calar.
É lutar, bradar aos quatro ventos e acreditar sempre na possibilidade de ser ouvido, atendido e priorizado.
É não abandonar o sonho de um dia ter um país que nos faça ter orgulho de ser daqui.



Frida P.



domingo, 16 de setembro de 2012

O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS



Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de cerejas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões
onde desfilam egos inflados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
"As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos".
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana, que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua
mortalidade.
Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdade. O essencial faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial!


Mário Coelho Pinto de Andrade (1928/1990), poeta, ensaísta e escritor angolano

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Viagem interior


Going Inside

You don't throw your life away
Going inside
You get to know who's watching you
And who besides you resides
In your body
Where you're slow
Where you go doesn't matter
Cuz there will come a time
When time goes out the window
And you'll learn to drive out of focus
I'm you and if anything unfolds
it's supposed to
You don't throw your time away sitting still
I'm in a chain of memories
It's my will
And I had to consult some figures of my past
And I know someone after me
Will go right back
I'm not telling a view
I've got this night to unglue
I moved this fight away
By doing things there's no reason to do

Se Voltando Para Dentro

Você não joga sua vida fora
Se voltando para dentro. (de você)
Você tem que saber quem te observa
E quem mora ao seu lado
Em seu corpo
Onde você é lento.
Onde você vai, não importa
Porque virá um tempo
Em que o tempo passará pela janela
E aprenderá a conduzir fora de foco.
Eu sou você e se nada se revela
como deveria ser
Você não perde seu tempo sentando quieto
Estou em uma corrente de memórias
É minha vontade
E eu tinha que consultar algumas figuras do meu passado
E eu sei que alguém além de mim
Vai voltar
Eu não estou contando sobre uma visão
Tive essa noite para perceber
Eu me desfiz dessa luta
Por ter feito coisas que não tinham razões de serem feitas.
                       

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Uma boa dose de mim mesma com gelo e limão!


Depois de anos a fio carregando essa mesma cina de me doar 110% ao mundo e quase nada por mim permito-me agora algumas mudanças. Reuni minha Assembléia Constituinte e ficou acordado que:

a) A partir de agora não preciso de ninguém que me complete. Já sou completa e ultimamente estou transbordando de mim mesma;
b) Preciso experimentar, sentir todos os gostos que nunca provei. E acreditem: estou faminta;
c) Devo amar, amar e amar de novo quem está comigo: meu pequeno grande fruto,  minhas raízes e as àrvores que me fazem sombra;

Tudo está tão novo que estou completamente apaixonada por essa nova realidade. Simplesmente descobri "EU". E "EU" é tão vasta...tenho tanto que ver aqui dentro. Eu nem sabia que "EU" podia ser tão fatal! Ou é uma grande verdade ou estão me fazendo crer nesta imensa mentira.

Mesmo uma série de desvios estéticos, "EU" gosta assim mesmo, desse jeitinho, sem tirar nem pôr. Com seu excesso de corpo, com seus seios longe da altivez, com esse nariz estranho, com essa pele de porcelana (quebrada)...Mas parece que tudo junto se harmoniza e é assim: "EU".


quarta-feira, 5 de setembro de 2012


Uma boa dose de Foda-se com gelo e limão!

Falar palavrão não é coisa de boa menina. Mas nunca quis ser boa menina, aliás, sempre foi um fardo pesado demais, carregar essa cruz de boa filha, boa aluna, boa..boa...Não que eu não seja uma pessoa do bem, mas o SER BOA, as vezes, exige uma dose tão grande de paciência e diplomacia que toda minha vontade sempre foi dizer: FODA-SE. Para minha mãe que me criou para ser sua cópia ou uma boneca de porcelana, sem vontades, sem opiniões, pior, sem liberdade, fadada a dar satisfações de cada passo. Para meu pai que é, muitas vezes, tão passivo diante das situações (mas não, para ele eu não consigo dizer). Para os vizinhos, conhecidos e colegas que são, insuportavelmente, curiosos e maledicentes. Se eu for seguir nessa escala crescente vou parar sabe-se lá onde. Em Deus? Que criou essa ‘bagaça’ toda? Melhor não, deixa o Criador em paz, que já tem perturbado demais para ouvir. Mas no fundo, o foda-se pode ser traduzido em: liberdade. É só o que eu preciso. Poder viver, trabalhar, pensar, ser, livremente. Será que é pedir demais?

Olívia Meminger