Alguém me disse que nasci no corpo errado, que
deveria ser maior para cima e para os lados, assim meu corpo seria de acordo
com minha personalidade extravagante, provocativa. O fato de ser magra foi associado
a uma personalidade angelical, doce, que não possuo. Não sei de onde tirou isso.
Errou. Hoje compreendo perfeitamente a razão dos meus poucos quilos, nosso
corpo é reflexo da alma, acredito nisso. A minha é tão leve, que seria difícil
mantê-la aprisionada a um corpo pesado, melhor que voem os dois, corpo e alma.
Sou tentada a tudo que me tira do chão, é onde me sinto em paz, basta fechar os
olhos que me vejo flutuando. O sonho de voar é tão antigo quanto o homem, eu o
tenho desde sempre. Já realizei tantas vezes, numa música, numa montanha-russa,
numa ilusão. Voar acompanhada parece bom, mas nunca precisei de instrutor para
isso, prefiro os aventureiros leigos que não carregam manual de instrução, nem
certificados de oitocentas horas-aulas de voos bem sucedidos. Por outro lado,
voar sozinha é a melhor sensação que alguém pode experimentar. Sentir o frio na
barriga, o medo do incerto, uma
insustentável leveza do ser. Será que eu tenho algum problema? Alguém mais
sente esse incontrolável desejo pelas alturas? Cheguei à conclusão que nunca
poderei engordar, não posso correr o risco que o principezinho correu de não poder carregar o próprio corpo ao
retornar ao seu planeta, tudo tem que continuar proporcionalmente perfeito:
corpo pequeno e alma leve.
Retire
o cinto e ouça isso. Veja o quanto pesa sua alma! http://www.youtube.com/watch?v=LmXSa-wa8lA
Mais
um voo garantido!
Funciona, não é?
Olívia Meminger


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