-Silêncio! O que afinal há de errado com ele? Eu particularmente admiro pra caramba quem com ele faz par. Consegue ser o companheiro ideal, claro, em certas ocasiões. Há dias, em que tudo que a gente busca é um pouco de silêncio, e não sei há quanto tempo venho a sua procura. Mas o silêncio que busco nem sempre é tão silencioso assim, às vezes ele vem junto com o som de uma brisa, de alguns ruídos, o cantar de um pássaro, uma criança chorando a alguma distância que mal se ouve. O silêncio que busco é apenas um refúgio, é um clamar de sossego. Mas tem sido tão difícil encontrá-lo. É como se o mundo todo resolvesse interferir, e distanciar esse encontro. E eu nunca havia percebido o quanto preciso dele, ou melhor, acho que nunca precisei tanto quanto agora. Sossego, um tempo para refletir, sonhar acordada, ou qualquer outra coisa que minha mente desejar produzir. Preciso mesmo é de solidão, mas não é apenas a da ausência, é solidão voluntaria e prazerosa, dessa de quando a única companhia agradável é a nossa, ou a de um bom livro. Algumas pessoas não entendem o quão bem faz a companhia silenciosa de um livro e simplesmente se acham no direito de interromper uma leitura, o que considero um tremendo desrespeito. Não há nada mais agradável que se perder em uma história, quando a gente confunde nossa vida com a dos personagens. Perdi a noção de quantas vezes o fiz, e das vezes que me arrependi por isso. Mas o que de fato me atormenta é não poder ter esse espaço, esse momento comigo mesma, com meu livro, quando os ruídos servem de efeitos sonoros para os pensamentos. Sinto falta de acordar feliz, ou atordoada com um sonho que acabara de ter, ao invés de acordar com a frustração de ter sido interrompida na metade dele e querer voltar pra refazê-lo e não conseguir e passar o dia todo imaginando como teria sido o fim. Definitivamente é de solidão que preciso, não sei por quanto tempo, e arrisco a dizer que não por muito, mas com certeza é tudo que preciso agora!
E Vocês, Sofia, Hilda, Olívia, Lua, do que precisam?
Por: Joana Flor
Por: Joana Flor

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