Pegou uma folha em branco e tentou rascunhar algo. Desistiu. Tentou novamente. Queria poder deixar registrado a grande metamorfose que viveu. Não sabia dizer como, mas algo misteriosamente incrível aconteceu e todos viam claramente aquelas asas, enormes, plenas, e... azuis! De repente acordou com algo estranho, correu para espelho e lá estavam elas. Nem sabia controlá-las e esbarrava todo tempo aquela beleza gritante naquele quarto minúsculo. É. Parece que não tinha jeito mesmo...Tinha era mesmo que aprender a voar! Mas voar sozinha num mundo de andantes não tinha lá seus atrativos... Esforçou-se o mais que sua mente permitia: como danado conseguira aquelas asas? Se tinha de escrever algo, deveria ser uma receita. Precisava de mais pares para seu projeto incrível de ser... Ser o que mesmo? Que nome dá mesmo a seres de asas? Anjos? Não! Se eles não tem sexo, ela tinha até demais! Bom, não importa. Não precisava saber o que eram. Só precisava saber como ser aquilo. Então chegou a conclusão que não sabia, mas sabia a dor da transformação e se conseguisse escrever essa dor, talvez os demais entendessem que é da dor que nascem as asas, basta aceitar, melhor, basta permitir. Agora que dói, ah isso dói. Já imaginou isso saindo de você? Retornou ao papel e escreveu assim: "Pra se ter asas é preciso primeiro chegar ao extremo de si mesmo. Um dia eu rastejei (não entenda como uma metáfora) e de caso pensado quis deixar minha dignidade em nome do que e de quem eu achava digno. Um dia, eu cometi a birrice de não querer ter futuro, de não acreditar mais em sonhos, de trocar aquela palavrinha que cintila na minha mente, a tal da liberdade, pela pia de pratos, um cesto de roupa suja e um horário certo pra jantar. Um dia, eu quis jogar fora até minha existência, mesmo tendo tantas existências dependentes da minha. Um dia eu não era mais eu. Foi aí que tudo começou. Eu não entrei num casulo pra me afastar de tudo e me transformar em paz, pelo contrário, o mundo foi meu casulo. Nunca precisei ir tanto pra fora pra enxergar o que estava aqui dentro. Gente, gente, gente! Das mais diferentes possíveis, com suas histórias, com seus acertos, com suas falhas. Gente, gente, gente! Gente que se atravessou em mim e alterou meu DNA. Gente que catou os feijões podres da minha alma. Gente, simplesmente gente. Acrescente a isso uma boa dose de 'sou demais, obrigada!' e você já começa a sentir aquela coceirinha de que algo vai sair..." Deixou o escrito assim mesmo, nem quis se alongar porque queria dar um test drive no equipamento, afinal se era pra voar em grupo, não podia fazer feio. Abriu a janela e... PLOFT! Se esborrachou no chão. Antes de aprender a voar era preciso perder uns quilinhos.
Quem somos?
- Quem não perturba é perturbado.
- De Plutão. Da Terra. Do passado, presente e futuro. De onde viemos? Para onde vamos? Este não é um blog sobre filosofia, mas é filosofia, é pensamento, são inquietações, são provocações de todo tipo, são perguntas sem respostas, são respostas sem perguntas, são viagens reais e imaginárias pelo interior de seres extraterrestres naturais da Terra. Mulheres. Somos mulheres e homens também. Propomos que saia do seu mundo e adentre o nosso, mas venha de porta aberta e saia quando quiser, somos profundamente a favor do “entra e sai” de pessoas aqui e na vida. Por essa descrição o que você conclui ao nosso respeito? Que somos loucos? Ok, seja bem-vindo! Perturbe a vontade!

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