Ela sentiu vontade de chorar. Não era tristeza, saudade ou dor, foi culpa da água parada, do por do
sol, dos barcos ancorados esperando as estrelas. Lembrou-se de que não estava
só, a cada dia, desde o seu (re) encontro com ele, sabia que era pra sempre. Gostaria
de dizer que foi a correria do dia-a-dia, os muitos livros que tinha de ler ou
o tempo que os afastou. Não, foi sua teimosia, sua relutância em acreditar no
óbvio, o amor que ele sentia. Agora era hora de admitir, era amada e sempre
pode contar com seu amor, apesar de aborrecê-lo tanto. Sempre que fechava os
olhos podia sentir aquele abraço de quando se viram depois de tanto tempo, o
lugar era bonito, florido e havia um banco, caminharam de braços dados, ele
estava tão bonito quanto antes, fumava e sorria alegremente, acho que só queria
ganhar mais uma bronca dela, que não gostava do seu vício, mas ela só queria
admirá-lo, como sempre fez. Quando teve que ir deu-lhe um beijo demorado de despedida.
A vontade de chorar passou. Madalena, enfim, se sentia perdoada.
Olívia Meminger
Olívia Meminger


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