Quem somos?

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De Plutão. Da Terra. Do passado, presente e futuro. De onde viemos? Para onde vamos? Este não é um blog sobre filosofia, mas é filosofia, é pensamento, são inquietações, são provocações de todo tipo, são perguntas sem respostas, são respostas sem perguntas, são viagens reais e imaginárias pelo interior de seres extraterrestres naturais da Terra. Mulheres. Somos mulheres e homens também. Propomos que saia do seu mundo e adentre o nosso, mas venha de porta aberta e saia quando quiser, somos profundamente a favor do “entra e sai” de pessoas aqui e na vida. Por essa descrição o que você conclui ao nosso respeito? Que somos loucos? Ok, seja bem-vindo! Perturbe a vontade!

sábado, 22 de dezembro de 2012




A carta estava entre outras correspondências, as muitas que se acumulam depois de uma longa viagem e casa vazia. Seu papel era amarelado e com uma caligrafia bonita dizia: Caro desconhecido, preciso falar!
Intrigado, abri:

No começo, tudo foi muito difícil. Não aceitava de forma alguma que aquilo pudesse estar acontecendo comigo. Calei-me por muito tempo. Privei-me de viver momentos intensos. Procurei de todas as formas ‘maquiar’ meu verdadeiro EU, mas chegou um momento que não estava mais dando pra suportar. Eu estava com tudo aquilo entalado na garganta e precisava de qualquer forma conversar com alguém.
    Ser homossexual numa sociedade como a nossa, é o mesmo que ter que vencer uma batalha por dia. Enfrentar família, amigos, vizinhos, não é fácil. Mas quando você decide ser feliz nada mais importa. Você percebe que já perdeu tempo demais se escondendo, e que não importa o que os outros vão pensar/falar a seu respeito.
Procurei forças onde já não havia sequer esperança de um dia ser feliz. Mas foi nos amigos que encontrei a força que eu tanto procurava. O oásis no meio do deserto. Um dia criei coragem e falei tudo que eu tinha engasgado. Desabafei... me libertei de um peso que carreguei sozinho durante anos. No começo tive medo de não ser aceito por eles, mas ao contrário do que eu pensava, recebi muito carinho e compreensão. Não canso de agradecê-los e de declarar diariamente o meu AMOR pelos meus AMIGOS. Eles são a família que eu escolhi pra mim.
Hoje me aceito do jeito que sou, não acho que possuo um distúrbio de personalidade ou qualquer outro tipo de doença, como costumam dizer pessoas preconceituosas. Que se dane seu preconceito! Meu mundo não gira mais em torno da opinião dos outros. Meus olhares e pensamentos agora buscam novos horizontes e novas aventuras.
Essa carta é para dizer que posso ser seu filho, seu irmão, seu amigo, seu vizinho ou um cidadão comum. E também é um pedido, sou como você, então, por favor, não veja diferenças onde não existem!

Grato pela atenção.

Um ser humano qualquer


Fechei a carta com mãos trêmulas. Andei até ao banheiro e no espelho olhei meu rosto cansado da viagem, já não era o mesmo rosto do homem que apanhou as correspondências e imaginei o menino que escreveu a carta, sim, um menino, foi assim que o imaginei e uma sensação de empatia invadiu meu coração. O rosto no espelho sorriu de volta, como se dissesse: eu admiro esse garoto. Esse ser humano qualquer.


Davi Langdon






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