Li, li também, li mais um e mais
outro post romântico e apaixonado que rolou pelas redes sociais, como também vi
centenas de lamentações dos que passaram esse dia sozinhos, alguns dizem que é
melhor que passar carnaval namorando, outros aguardam, confiantes em Deus, que
Ele mande do céu alguém com quem será feliz para sempre. Vi pessoas recebendo
flores, declarações, beijos, bem debaixo do meu nariz, algumas dessas demonstrações
me pareceram apropriadas, não sou capaz de julgar qual delas foi verdadeira, nem
poderia, apesar da falsidade às vezes saltar aos olhos. E eu? Não reclamei, não
roguei aos céus, também não ergui minha solteirice como um troféu, apenas vivi
esse dia como vivo os outros, a solidão me assusta, mas há muito tempo não me
sinto só, me faço ótima companhia. Mesmo assim, tenho coração (esse órgão desnecessário,
como diz Hilda, rs) e ele está sempre de porta aberta, tem pão e café fresco na
mesa, quem quiser se servir, fique a vontade, mas não faça sujeira. Até hoje
quase ninguém quis provar do meu café, acho que é forte demais, venho tentando
adoçar, torná-lo mais fraco, quem sabe uns biscoitinhos ou umas frutas poderiam
atrair visitantes. Isso, prefiro visitantes, moradores dão muito trabalho, se
acham no direito de fazer reformas ou danificam o ambiente, por isso prefiro
visitantes, o tempo de visita não é importante, desde que saibam o caráter temporário
da coisa. Então, isso é tudo, amanhã é mais um dia e “é de sonho e de pó, o destino de um só, feito eu perdido em pensamentos sobre o meu cavalo". E se no próximo dia de
São Valentim eu ainda estiver no grupo dos que apreciam carnaval, que saem em
turma, que dispensam dar e receber satisfações, vou saber que só eu gosto de
café amargo. Afinal, uma vida doce merece um contraponto!
Estão servidos? ;)
Estão servidos? ;)
Olívia Meminger


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