Não me denuncie...
Quantas vezes paramos pra pensar
se o que estamos fazendo é certo ou errado? Se ferirmos nossa moral praticando
algo que vai a desencontro com uma postura idealizada por muitos, refabricadas
em nossas mentes ou remetidas a nossa personalidade forjada devida a convivência
mais próxima. Assumir uma identidade própria, individual, intima não é negar as
raízes, é criar uma alternativa a elas. Estas surgem diante uma necessidade
impulsionada por circunstancias de vida, por mais que sejamos o espelho de
nossos pais, isso nem sempre, porquê o que absorvemos deles é o que acreditamos
inconscientemente que seja o essencial, bonito até, poderá ser uma boa educação
ou a arrogância e estupidez. Poderá ser o bom convívio social, a cordialidade ou a falsidade, porque não? No
final recriamos atitudes, desejos absorvem asas, aspirações carregadas de
ousadias que esbarram ainda na porra da ‘fôrma’.
Paralelamente a esse processo de convivência
trocamos experiências com a sociedade de modo geral, que com sua ‘fôrma’ tentara
nos moldar. Com uma boa dose de massa, bem mexidos com tanta meleca, nos jogam ainda
o fermento, por demais às vezes, o resultado, acabamos saindo da ‘fôrma’. E o nosso excesso,
assim como o bolo fora da vasilha pode ser percebido pelos gulosos como uma boa
oportunidade para saciar a sua fome, aproveitadores, imbecis, são vocês com os
falsos moralismos, cobranças idiotas, religiosidade forjada, nos enche com
tanta hipocrisia (fermento) para depois nos comer dos pés a cabeça. Mas há ainda
os que se enganam, não imaginam o bem que nos fazem, sabemos do processo de
fabricação do bolo, depois de aquecidos pelo calor da vida, quase que como prescritos
na receita construímos sabiamente nossa soberania diante da fôrma, detalhe meus
queridos, isso não é privilégios de muitos, alguns são comidos com uma boa dose
de recheio, tostadinhos ou atrofiados ,
não conseguem nem perceber a tal da ‘fôrma’. No entanto, quando não nos
permitimos ser comidos pelo sistema, somos jogados a margem, desprezados,
sofridos com toda sobrecarga de preconceitos descabidos que a humanidade com defeito
de fermentação na cabeça pode ter.
Não me denuncie, por favor, eu
rasguei a receita deles, fiz a minha própria, me faço dentro da minha ‘forma’,
mesmo comido pelos devoradores, me refiz, recriei. E o resultado parece
assustador, mas estou pronto para devorar a vida.
Peter Insan


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